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Folha de S. Paulo _ Ex-Verve tem carreira
revista em especial # 27 outubro 2003 |
Ex-Verve tem carreira revista em especial
por Márvio dos Anjos
O clipe de um cantor esquálido e alto, vestindo um casaco
de couro e trombando com outros pedestres numa calçada
perdida da Inglaterra é bastante conhecido dos fãs de
música pop. BITTERSWEET SYMPHONY foi o maior hit do Verve,
banda de Richard Ashcroft, 32, sendo executado no mundo
inteiro em 1997.
Mas logo depois do sucesso de URBAN HYMNS, terceiro disco
da banda (no qual estava a canção), o Verve se dissipou,
em 1999. Deflagrada a incompatibilidade com o guitarrista
Nick McCabe, Ashcroft foi tentar uma carreira solo, e essa
curta trajetória fez o vocalista merecer um perfil da
série "Planet Rock", que o Eurochannel exibe hoje.
Numa conversa entremeada por cenas de clipes, o cantor
conta como construiu sua carreira com o Verve e mostra
suas expectativas. Extremamente franco, Ashcroft fala de
como descobriu sua vocação, dos seus métodos de composição
e dos percalços do sucesso - entre eles, as razões pelas
quais o Verve sumiu do mapa.
O mérito da série do Eurochannel é a sua concisão: em meia
hora, o programa traça um perfil do músico a partir do que
ele faz de mais interessante, as músicas. O problema é a
falta de capricho. Surge a capa de ALONE WITH EVERYBODY, o
primeiro disco solo de Ashcroft, e o locutor anuncia:
"Alone with Everyone".
As legendas ajudam a aumentar o caráter "tabajara" do
programa. O guitarrista dos Smiths, Johnny Marr, vira
Johnny Maher, a orquestra de Andrew Oldham - que gerou o
sample de BITTERSWEET SYMPHONY- vira Andrew Copeland (!)
e, no ápice, a música LUCKY MAN tem seu nome traduzido,
como se Ashcroft estivesse apenas agradecendo à sorte.
Fora isso, a série faz o telespectador simpatizar com
Ashcroft e até torcer para que seu terceiro disco tenha
mais sucesso. Porque, pelo que já fez nos outros dois, ele
ainda é apenas o cara do Verve que trombava em todo mundo.
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