s l i d e t blur oasis verve contato emails links
O Globo _ Oasis se mostra entediado durante a passagem pelo Rio # 21 março 1998

OASIS SE MOSTRA ENTENDIADO DURANTE A PASSAGEM PELO RIO

Noel só sai do quarto para a coletiva; Liam fica na piscina

Nem as dez horas em que ficou bebendo cerveja e refrigerantes no bar One-Twenty-One - anexo do hotel Sheraton - ao lado de um grupo de mulheres inglesas e de membros da equipe técnica, tiraram do ar o vocalista do Oasis, Liam Gallagher. Enquanto o irmão, Noel, e o baixista Paul "Guigsy" McGuigan respondiam a um batalhão de perguntas de jornalistas de todo o Brasil na entrevista realizada ontem à tarde, Liam descansava na piscina e ensaiava um passeio pela praia. "Queremos que o Pelé venha assistir ao nosso show. Nós não o convidamos, mas queríamos muito", disse, ironicamente, o guitarrista Noel, sem saber que George Benson, que se apresenta hoje no Metropolitan, havia garantido lugar num camarote para ver o Oasis.

Vestido com uma camisa florida, Noel era o retrato do tédio em que se transformou a passagem do grupo inglês pelo Rio. Desde que o Oasis desembarcou na cidade, anteontem à noite, ele saiu do quarto somente para a entrevista, que durou 15 minutos. "Realmente a única coisa que eu vi foi o quarto e o mar lá de cima. Mas seria interessante passar as férias aqui", disse Noel Gallagher.

Não tão popular no Brasil quanto na Europa, onde dominam a cena pop, ao lado das Spice Girls, eles receberam um tratamento de marketing da gravadora como na Europa. Nas lojas de CDs próximas ao Metropolitan e nas vitrines da casa de shows foram instalados displays com produtos da turnê do grupo pelo mundo. Depois da entrevista, Noel recebeu da Sony Music os discos de ouro referentes à vendagem dos três CDs da banda.

Ex-roadie do Inspiral Carpets, Noel não perde a chance de vilipendiar os grupos ingleses que deram origem ao Oasis nem seu maior rival de começo de carreira, o Blur:  "Infelizmente trabalhei com o Inspiral Carpets. O Soup Dragons eu ignoro e prefiro beber detergente de pia a ouvir o último CD do Blur."

Fã de futebol, Noel arriscou um palpite para a final da Copa do Mundo na França: "Brasil e Inglaterra fazem a final e a Inglaterra ganha".

OASIS SOBE AO PALCO, MAS O SHOW É DA PLATÉIA

Público vence a frieza do grupo dos irmãos Gallagher e garante a animação de uma noite em que a história do rock inglês foi passada a limpo
por Carlos Albuquerque

Palmas de pé. Nota 10. Cinco estrelas. Dez quadrados. Todos os elogios são poucos para o desempenho... da platéia durante a apresentação do Oasis sexta-feira no Metropolitan. A galera lotou o local, gritando, dançando, cantando junto e, até onde foi possível, foi o grande show da noite. Ao grupo inglês, quente como um iceberg, restou o papel de animador de um baile espontâneo. E mesmo assim, houve momentos em que, se colocassem o disco do grupo para tocar e todos os músicos saíssem do palco, parecia não haver diferença. O importante era a festa.

Foi a primeira visista do Oasis ao Brasil - e o grupo chegou mancando. A turnê BE HERE NOW - nome do seu terceiro disco - aportou aqui um pouco mais leve. Nos shows que aconteceram na Europa e Estados Unidos, no segundo semestre do ano passado, o Oasis tinha no palco um carro, uma cabine telefônica, uma rampa e um telão arredondado. Um cenário, enfim. Na turnê pela América Latina, um pano azul pintado nas cores azul e vermelha - como um símbolo mod, uma turminha de rua inglesa do anos 60 de onde surgiu o The Who - deu conta do recado. O show, porém, ficou no mesmo clima leite morno de sempre. É que o grupo que sonha se tornar os beatles do anos 90 ainda está numa fase assim meio Monkees.

A abertura do show é emblemática. Com as luzes apagadas, entra no ROCK AND ROLL, do Led Zeppelin, um clássico do rock que tocou tanto, mas tanto que deveria ter sua execução proibida por duas décadas para que todos voltassem a gostar dela. Mas no caso do Oasis, tudo faz sentido. É como se o grupo colocasse uma placa dizendo "homens conservadores trabalhando", na boca do palco.

E como operários, eles trabalharam bem, reescrevendo a história do rock inglês tijolo por tijolo, música por música. Algumas das primeiras, como BE HERE NOW e SUPERSONIC, bateram forte e encontraram eco na platéia, que pulava como se estivesse com brasas debaixo dos pés. Na massa, uma coisa intrigava: por que todas as meninas se vestem de forma igual, um exército de tomara-que-caia, saia preta e jeito de modelo-manequim? Cadê a ousadia? É essa a geração rock dos anos 90, que se veste para um show do Oasis como se fosse para uma micareta?

São devaneios que vêm à mente quando embalados pela grande música reciclada do Oasis, a banda que acha que rock é uma receita, uma casa pré-moldada. E não é. Perto dos franceses do Daft Punk, que desprezam todos os simbolismos e chavões do rock, o show do Oasis é tão radical quanto um passeio de pedalinho na Lagoa. No set acústico, a jukebox nostálgica do Oasis dá uma parada e a coisa melhora. A platéia brilha mais uma vez e praticamente canta a bela DON'T GO AWAY para Noel. Na seqüência, ele toca SETTING SUN, que gravou com os Chemical Brothers, desplugando a música eletrônica sem levar e dar choque. É o melhor momento do show.

Depois, um pouco mais de festa com hits como WONDERWALL, DON'T LOOK BACK IN ANGER, CHAMPAGNE SUPERNOVA, etc. Até que a galera aparentemente cansou da falta de retorno da banda e sossegou. E quando a banda voltou para o bis, com uma versão burocrática de I AM THE WALRUS, a galera nota 10 parecia dormente, com soninho, exausta depois de garantir a animação do show. A única graça que restou foi tentar saber por que Liam Gallagher anda como se tivesse com dor nas costas o tempo todo?

Liam veste a camisa da seleção

SÃO PAULO - Um Oasis um pouco mais caloroso que o normal foi o que 13.500 paulistanos viram na noite de sábado no sambódromo da cidade. O vocalista Liam envergou a postura suplicante de sempre no microfone, com as mãos para trás, e Noel repetiu sem grandes variações as versões das faixas dos discos, mas um clima de Copa do Mundo permitiu que os irmãos Gallagher quase fossem simpáticos no palco. As fãs adoraram.

Com uma camiseta da seleção brasileira, bermuda e casaco, Liam subiu pontualmente ao palco. A seqüência iniciada por BE HERE NOW esquentou a platéia, e os gritinho para Liam só cessaram quando Noel arriscou um "I love São Paulo" para agradar à platéia. No final, Liam já sem casaco, sacudiu a camiseta do Brasil, e Noel deu uma gargalhada.

Houve encalhe de ingressos. Dos 15 mil postos à venda, 1500 não saíram da bilheteria do sambódromo. O show transcorreu sem incidentes, mas o departamento médico teve trabalho: foram 120 atendimentos, de adolescentes que exageraram no álcool.

[foto da matéria]