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MTV _ Fim de Semana Especial # 2000

Noel Gallagher:
Depois de ter feito o melhor álbum de rock dos anos 90, o que resta?

Liam Gallagher: Musicalmente, eu não tenho nada pra provar e isso vale pra banda também.

Noel: Quando terminamos o álbum anterior (BE HERE NOW), achei que a banda fosse acabar e que eu nunca mais faria músicas porque não haveria mais inspiração.

Liam: A gente estava no auge e em todos os jornais, era um caos e isso apareceu na música.

Noel: A gente trabalhou muito, falou demais, e não passou o tempo necessário dentro do estúdio.

Liam: As músicas eram boas, mas havia bebida e cocaína demais, e a imprensa nos seguindo o dia todo.

Noel: Com a virada do século, pouco me importa em ser considerado o compositor dos anos 90. Prefiro ser considerado o melhor compositor do próximo ano. Desta vez, eu sabia que queria parar um ano pra compor, e no ano seguinte, gravar. E foi isso que fizemos.

Liam: Desta vez, temos que nos reestabelecer como uma grande banda. É o que somos, e todos vão perceber isso com o novo álbum.

Noel: Tem muita coisa em jogo agora. O público não engole qualquer coisa.

Liam: Dois integrantes saíram. Pensávamos que estaríamos juntos pra sempre.

Noel: Você sabe tanto quanto eu, no sentido que eles disseram que saíram, pra passar mais tempo com a família. É tudo o que eu sei. Mas, uma parte de mim acha que há algo mais profundo do que isso. Não sei o que é, mas temos que respeitar a decisão. Eles nunca mencionaram nada pra mim. Até então eles nunca haviam mencionado nada pra mim. Acredito na palavra deles. Sei lá. Gem, o novo guitarrista, foi uma decisão rápida e certa, porque nós já o conhecíamos há um tempo. Ele era meu amigo e não estava fazendo nada. A banda dele tinha acabado e ele estava disponível. Nós lembramos que ele era um bom guitarrista. E um cara legal. Então foi muito rápido.

Liam: O Noel tocava guitarra solo e Bonehead fazia guitarra base. Agora, o Noel não toca solo o tempo todo, o Gem toca solo, e os dois se revezam, como em CHAMPAGNE SUPERNOVA. Gem faz a guitarra solo, mas depois eles se revezam. É assim que funciona.

Noel: O baixista, Andy Bell... foi mais difícil, porque não existem muitos baixistas bons por aí. O Andy não é... ele não é conhecido como baixista porque na verdade ele é guitarrista. Foi uma decisão de última hora. Nós testamos cinco ou seis baixistas, todos eles eram bons, mas eles não... não eram as pessoas pra aquilo que queríamos. Então, ficamos abertos até o último momento, quando soubemos que o Andy Bell estava disponível, e que ele topava. Então, nós o chamamos, tocamos umas músicas. Ele é um cara legal e se encaixou muito bem. Essa decisão foi mais difícil.

Liam: A gente sabe como você toca. Então, toque. Não toque como o Bonehead. Toque do seu jeito. Se você exagerar, a gente pede pra parar. Coloque seu estilo nas músicas antigas. Se soar legal, fica. E se soar exagerado, falaremos.

Gem Archer:
Ele sabe que eu não vou aparecer com uma guitarra de metaleiro... e que Andy não vai pedir um baixo de cinco cordas sem cabeça. Todos nós jogamos no mesmo time.

Noel: Eu estava num pub e tinha uma moeda (2 libras) com uma inscrição, que eu anotei num maço de cigarro pra não esquecer: "Standing on the shoulders of giants - título do álbum". Mas eu estava bêbado. Quando acordei de manhã, li: "STANDING ON THE SHOULDER OF GIANTS - título bunda".

Porque você escolheu gravar na França, é pra fugir...?

Noel: É. Tinha sol. Nós não... já gravamos em quase todos os estúdios da Inglaterra, nos últimos 5 ou 6 anos, então decidimos que pra nos manter interessados, deveríamos pegar tudo o que tínhamos e ir pro sul da França por uns três meses. Só a atmosfera que é diferente, na verdade, não que isso tivesse influenciado a música. Foi só pra tornar isso interessante pra banda.

Você acha que isso fez diferença no álbum?
Noel: Acho que não. Talvez o fato de não termos tantas distrações como temos na Inglaterra. Foi uma atmosfera mais calma e tranqüila. Mas acho que... o processo de gravação foi mais fácil, mas não acho que fez diferença no som do álbum. LITTLE JAMES é a música mais pessoal do álbum. Estou orgulhoso de Liam porque agora ele ganhou confiança pra compor.

Liam: Não quebrei a cabeça pra compor uma música. Eu estava com ela na cabeça há muito tempo. Tenho muitas músicas, componho há muitos anos, mas nunca consegui terminar uma. Penso: "foda-se". Esqueço e volto à ela algum dia. LITTLE JAMES é a primeira música que eu compus com facilidade porque ela não saía da minha cabeça. Eu a compus em três minutos.

Noel: É sobre o enteado dele. É uma música pop legal, não diria que é a minha favorita do álbum. Mas temos que encorajar as pessoas. Foi a primeira música que ele compôs, então... ele não pediu que a colocássemos no álbum, mas parece ser a hora certa de ter uma música dele no álbum.

Você acha que terá mais músicas dele no futuro?

Noel: Se ele compor coisas tão boas quanto essa, sim, mas se não, então não. Eu gosto muito da música, gosto da melodia.

Liam: Se ela está no álbum é porque é boa.
Noel: Ela funciona só com violão, portanto funcionaria com a banda toda tocando.

Liam: Eu não fico pensando que tenho que compor uma música. Eu não consigo pensar assim. Simplesmente pensei em James, compus uma música, e pronto.

Noel: O Liam tem que amadurecer logo. Ele só tem 27 anos. Eu me lembro como era quando tinha 27, não era muito diferente dele.

Liam: Musicalmente, estamos mais unidos. Sempre fomos unidos. Tudo que escrevem nos jornais é exagerado. Depois que perdemos dois integrantes, ficamos ainda mais unidos.

Noel: Qual é a melhor característica dele? Ele não pega leve, fala o que pensa.
Liam: Minhas palavras refletem o meu pensamento. Diria que somos parecidos.

Noel: Seria bom se ele conversasse com alguém como o John Lennon... o John falaria pra ele fechar a boca e prestar atenção, ao invés de falar o tempo todo.

Liam: Ele pensa que é o John Lennon.

O que você tem ouvido ultimamente?

Noel: Travis, The Chemical Brothers, uma banda sueca chamada Helicopters, uma banda dos EUA chamada Cotton Mather, eles são muito bons. Fora isso, as mesmas coisas: The Who e os Beatles... não ouço muita música, pra ser sincero com você. Não ultimamente, porque estou compondo bastante. No fim de semana, estava ouvindo o álbum do Beck. Se você ainda não comprou, não compre, porque é uma droga.

Se você pudesse ter uma participação especial no seu álbum, de um músico, vivo ou morto, quem seria?

Noel: John Lennon. John Lennon... ou John Lydon, Pete Townsend, Keith Moon, Jimi Hendrix, Paul McCartney, George Harrison, Keith Richards, e Ronnie Wood.

Muitos deles ainda estão vivos, já pensou em convidá-los?

Noel: Não, eles podem dizer não. Ficaria chateado, né? Então pra que convidar? Sei lá.

Já vi anotado, mas não estou certo da data. Com certeza, vamos tocar no Brasil.

O que você lembra da última vez que esteve lá pra um show?

Noel: Não muita coisa. Eu estava bêbado o tempo todo. Me lembro... não tenho nenhuma lembrança ruim, então deve ter sido bom. Você só se lembra das coisas ruins. Se você está se divertindo, você não lembra das coisas boas, só lembra de quando não está feliz. Não tenho lembranças ruins de lá, então deve ter sido muito bom.

Você se lembra do show em São Paulo, quando o Liam sumiu por 20 minutos no meio do show? Lembra-se disso?
Noel: Não. O que ele fez?

Não tenho idéia, ninguém sabe.
Noel: O que aconteceu? Ficamos no palco até ele voltar?

Você cantou algumas músicas.
Noel: Eu não sei, não me lembro. Ele faz isso sempre. Ele deve ter ido beber algo. Espero que os integrantes atuais façam mais álbuns juntos do que os integrantes originais.

Gem:
Ainda não acredito que sou integrante desta banda!

Liam:
Querem explicar tudo, deixem as pessoas pensarem por conta própria. Eu não estou aqui pra compartilhar meu ponto de vista. As pessoas têm que ouvir.

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