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O Estado de S. Paulo _ Debaixo do
dilúvio, Oasis soa ainda melhor # 16 março 2006 |
DEBAIXO DO DILÚVIO, OASIS SOA AINDA MELHOR
Os britânicos mostraram que estão melhores do que nunca, em seu único show em
São Paulo, 12 anos depois de ter surgido como a nova esperança branca do rock
branco inglês
por Jotabê Medeiros
I lost my faith in the summer time / ´Cos it don’t stop raining / The sky all
day is as black as night / But I’m not complaining
("Perdi minha fé no verão / Porque não pára de chover / O céu o dia todo está
preto como a noite / Mas não estou reclamando")
A letra de THE IMPORTANCE OF BEING IDLE, nova música da banda inglesa Oasis (a
sexta do roteiro), parecia soar profética naquele aguaceiro que caiu na noite de
anteontem no Estacionamento do Credicard Hall, na Zona Sul de São Paulo. "Chove
como em Manchester, hã?", disse Liam Gallagher, com seu acento cockney terrível,
insolente pela própria natureza.
Para quem estava abrigado debaixo de um balão promocional de uma companhia
telefônica, a voz de Liam pareceu ainda mais impressionante debaixo d’água. Um
rugido, um grito rascante, uma espécie de John Lennon com areia na língua
berrando para 15 mil fãs encharcados e felizes (deviam ser muitos menos ao
final, porque muita gente não agüentou o dilúvio). Fãs cuja maioria não parecia
ter mais do que 16 anos, o que mostra que o Oasis soube renovar seu apelo teen.
Os britânicos mostraram, em seu único show em São Paulo, 12 anos depois de ter
surgido como a nova esperança branca do rock branco inglês, que está soando
melhor do que nunca. A qualidade do som não era tão espetacular, detalhe
agravado pelo ronco intermitente da chuva, mas ainda assim foi impossível não
concordar que os irmãos Gallagher são um desses fenômenos que ocorrem no rock só
muito raramente.
O cenário parecia o de um rendez-vous de cidade do interior: fundão roxo, luzes
como aquelas de espelho de camarim emoldurando os instrumentos. "O show do Oasis
não tem efeitos pirotécnicos", adverte o contrato firmado com a produção do
show. No máximo, fumaça, admitem no texto. Comparado com a suntuosidade de
Stones e U2, eles são muito mais rock (isso não é uma comparação)
Eles foram profissionalíssimos. Entraram pontualmente às 22 horas, com o intro
eletrônico de FUCKING IN THE BUSHES, do álbum STANDING ON THE SHOULDER OF
GIANTS. Liam ficou em pé na frente do palco, segurando o pandeiro com os dentes.
Os versos pareciam insuflar a revolução no meio dos garotos comportados da
platéia. "Kids are runnin’ around naked fuckin’ in the bushes" (Garotos estão
correndo pelados e transando nos arbustos).
Ignorando a água, tocaram tudo que estava programado e Liam até aplaudiu a
coragem do público, que não arredava pé da pista. Que maravilha ouvir MASTERPLAN
comendo pizza molhada! Que bizarro ouvir LIVE FOREVER ouvindo o barulho da água
comprimida pelos pés dentro dos tênis! A temporada de rock’n’roll tem sido
pródiga, e mesmo na noite imperfeita de quarta-feira, o Oasis manteve o nível -
só o nível do Rio Pinheiros é que subiu. Lá fora, no canteiro entre as pistas da
Marginal Pinheiros, mais de uma centena de fãs sem ingresso assistiam ao show
dos ídolos. Aqueles lá, definitivamente, sabem o que é colocar suas vidas nas
mãos de uma banda de rock’n’roll. Moptop - Os garotos cariocas do Moptop, que
abriram a noite, têm jeito para a coisa. Só um problema: são demasiadamente
dependentes dos Strokes (até o guitarrista parece uma cópia do Albert Hammond
Jr.). Tudo bem: o Arctic Monkeys é decalcado do Libertines, que por sua vez é
decalcado do Clash. O Moptop pelo menos tem coragem de cantar em português.
Repertório
TURN UP THE SUN
LYLA
BRING IT ON DOWN
MORNING GLORY
CIGARETTES & ALCOHOL
THE IMPORTANCE OF BEING IDLE
MASTERPLAN
SONGBIRD
A BELL WILL RING
ACQUIESCE
LIVE FOREVER
MUCKY FINGERS
WONDERWALL
CHAMPAGNE SUPERNOVA
ROCK 'N' ROLL STAR
GUESS GOD THINKS I'M ABEL
THE MEANING OF SOUL
DON'T LOOK BACK IN ANGER
MY GENERATION
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