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Diário do Grande ABC _ Como já se
esperava, Oasis foi antipático # 17 março 2006 |
Como já se esperava, Oasis foi antipático
por Dojival Filho
Tem gente que se contenta apenas em ver seu ídolo ao vivo, sem se importar com o
cenário, a equalização do equipamento de som e a escolha do repertório, entre
outros aspectos relacionados à produção do espetáculo. Para este pessoal, o show
do grupo britânico Oasis, realizado quarta-feira à noite no estacionamento do
Credicard Hall, em São Paulo, foi muito bom, apesar da chuva torrencial que
atingiu a cidade.
Não faltaram clássicos do repertório da banda, como SUPERSONIC, WONDERWALL e
CHAMPAGNE SUPERNOVA. Sobraram sucessos recentes como LYLA (quase um plágio de
STREET FIGHTING MAN, dos Rolling Stones) e GUESS GOD THINKS I'M ABEL. Estas duas
últimas fazem parte de DON'T BELIEVE THE TRUTH, disco lançado no ano passado.
Enfim, nada contrariou as expectativas dos fãs.
O vocalista Liam Gallagher, misto de John Lennon e Johnny Rotten, fez exatamente
aquilo que se esperava dele, interpretando o papel de bad boy arrogante, com
pose de imperador e sem a preocupação de ganhar a simpatia das cerca de 14 mil
pessoas presentes.
Entre um displicente "thank you" e o anúncio do título da canção seguinte, Liam
cuspia frases em um inglês com forte sotaque cockney (característico da classe
operária inglesa), incompreensível até para quem tem intimidade com o idioma.
Para os fãs, que esperavam ansiosamente desde o show de abertura da fraquíssima
banda carioca Moptop, não fez a menor diferença.
Decepção
Mas quem conheceu a banda em meados dos anos 90, quando ela liderava o movimento
britpop, ao lado de grupos como Blur, Pulp, pode ter ficado um pouco
decepcionado. Para estes fãs, que esperavam um Oasis revitalizado, após um longo
período de discos medíocres, a arrogância dos Gallagher soou caricata e quase
infantil.
O máximo de simpatia a que o guitarrista Noel, o irmão mais velho e talentoso,
se permitiu foi um breve agradecimento aos fãs do Rio que se dirigiram até São
Paulo para ver o espetáculo. Isolado no canto esquerdo do palco, o músico
proporcionou ao público, sem muito esforço, dois momentos de grande emoção, em
MASTERPLAN e DON'T LOOK BACK IN ANGER.
O baixista Andy Bell e o guitarrista Gem Archer não se destacam, mas, ao menos,
não atrapalham, e ajudam a formar uma parede sonora coesa, juntamente com o
discreto baterista Zak Starkey, filho do ex-beatle Ringo Starr. Zak lembra muito
o pai nos trejeitos, apesar de ter um estilo mais solto de tocar.
A falta de dinâmica e de variações climáticas entre as músicas, outra
característica dos shows do Oasis, só não tornou a performance maçante porque
ela foi curta, com cerca de 90 minutos de duração. Por tudo isso, é sempre bom
desconfiar toda vez que os jornais e as revistas anunciarem uma banda como "os
próximos Beatles" ou "a melhor do mundo". Espere uma década para ter certeza.
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