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Abril _ Especial Oasis # 13 março 2006

INGRESSOS PARA O SHOW DO OASIS ESTÃO ESGOTADOS

Apresentação será dia 15 de março no estacionamento do Credicard Hall em São Paulo
por Guilherme Guimarães

Na avalanche de bandas estrangeiras que fazem show no Brasil em 2006, o grupo inglês Oasis é o próximo da lista, depois de Rolling Stones e U2. Todos os ingressos para a única apresentação no país estão esgotados. O evento vai acontecer no dia 15 de março, no estacionamento do Credicard Hall, na cidade de São Paulo, que tem capacidade para 14 mil pessoas.

O Oasis vem ao Brasil pela terceira vez e vai apresentar a turnê de seu último álbum, DON'T BELIEVE THE TRUTH. O repertório contará com as canções LYLA, TURN UP THE SUN, LOVE LIKE A BOMB e MUCKY FINGERS (do mais recente trabalho) e grandes sucessos, como WONDERWALL, CHAMPAGNE SUPERNOVA, MORNING GLORY e THE MASTERPLAN.

Os portões da casa de shows serão abertos às 18h, e o Oasis deve subir no palco às 22h. Não está confirmado qual o grupo fará a abertura do show dos irmãos Gallagher. Menores de 10 anos não poderão assistir ao espetáculo, e os jovens entre 10 e 13 anos devem estar acompanhados pelos pais ou responsáveis. Os deficientes físicos terão uma área exclusiva para curtir espetáculo. Haverá um estacionamento próximo do local da apresentação, com valor entre R$ 15 e R$ 20.

Oasis no Rock in Rio 2001
Confira a entrevista coletiva de Noel Gallagher na segunda visita de sua banda ao Brasil.

Perguntas cretinas merecem respostas cretinas. Seguindo essa máxima, Noel Gallagher deixou seu irmão Liam na piscina do hotel Rio Palace para enfrentar uma coletiva de imprensa repleta de bolas levantadas esperando chutes.

É claro que todas as respostas vinham embaladas com o delicioso sarcasmo britânico e a simpatia de um rock star que sabe o que quer - o discurso "rock'n'roll can't never die" foi acentuado e justificado no anúncio da turnê com o Black Crowes.

Bem-humorado, fez os jornalistas darem boas risadas. Em tempo: nenhuma das bicudas foi direcionada à reportagem de Bizz.

Você sabia que um dos patrocinadores do festival é uma bebida alcoólica?
Noel Gallagher:
Sério? Bom, um dos integrantes da banda é alcoólatra, então não será problema.

O que seria um mundo melhor para você?
Noel: Um ar mais puro. Nada de armas... Ou rosas. Isso é uma piada.

Existem rumores sobre a separação da banda. O que você espera estar fazendo no ano que vem?
Noel:
Não estou sabendo de ninguém que queira deixar o grupo. Acredito que, no ano que vem, ainda estejamos tocando por aí, pois acabamos de escrever as músicas para o próximo disco e vamos entrar em turnê.

Do Brasil, você prefere a música, os drinques ou as mulheres?
Noel:
Prefiro música brasileira tocada por brasileiras que bebam. Sempre tem alguma polêmica envolvendo os Gallagher na imprensa: brigas, álcool, mulheres.

Qual foi a coisa mais absurda que já disseram sobre o Oasis?
Noel:
Que não gostamos de beber, não brigamos e não gostamos de mulher.

O que você acha do Guns 'N' Roses?
Noel:
Vi o Guns uma vez, quando eles eram bons, anos atrás. Gosto de algumas músicas. Estou ansioso para conhecer o Buckethead, o novo guitarrista deles, que usa um balde na cabeça. Contanto que eles toquem WELCOME TO THE JUNGLE, está beleza.

Que bandas novas você tem ouvido?
Noel:
Não muitas. Coldplay é OK, Travis é bom, Beta Band é muito bom. Gosto de Fatboy Slim e Chemical Brothers. Mas prefiro as velharias. Ainda gosto de Elvis Presley, saca? Ele foi o rei e tudo mais.

Para onde a música do Oasis está indo?
Noel:
Para ser sincero, não estamos ligando para modas e tendências. Fazemos o que fazemos e, se as pessoas gostarem, está bom. Se não gostarem, não está bom. Somos uma das duas bandas de rock'n'roll que sobraram, a outra é o Black Crowes. Só queremos continuar, fazer boas músicas orgânicas e manter nossa identidade. Não somos bons fazendo jazz ou salsa. Liam não veio para a entrevista.

Você acha que ele ficou no quarto escrevendo músicas melhores que as dos Beatles?
Noel:
Não, Liam está pichando as paredes. Ele anda dizendo que escreveu umas 20 músicas melhores que qualquer coisa do Revolver. Isso é besteira. Bem, são melhores do que as que eu escrevia quando tinha a idade dele. Mas ele não é tão bom quanto John Lennon. Ou mesmo Jack Lemon. Só eu sou capaz de chegar perto de John Lennon.

(fonte: Bizz, março de 2001)

A HISTÓRIA DO OASIS

Do começo em Manchester até o sucesso no mundo todo
por Guilherme Guimarães

Quando Noel Gallagher (guitarra e vocal) deixou sua função de no Inspiral Carpets e se uniu a Liam Gallagher (vocal), Paul "Bonehead" Arthurs (guitarra), Paul "Guigs" McGuigam (baixo) e Tony McCarroll (bateria), os quatro integrantes do grupo Rain, a Inglaterra ganhou sua maior banda dos anos 90: o Oasis.

Criado em 1991, em Manchester (Inglaterra), o Oasis rapidamente se tornou um sucesso mundial, graças principalmente ao talento de compositor de Noel e ao olhar apurado do empresário e produtor Alan McGee. O guitarrista e líder do Oasis reivindicou dedicação total de todos os membros do grupo e a autoria de todas as canções como condições para sua entrada na banda. O restante da banda, percebendo o talento de Noel, se rendeu às suas exigências.

Considerado cópia dos Beatles, o Oasis está longe de ser uma unanimidade entre a crítica musical. O som da banda segue o estilo britpop, consolidado pelos Beatles, com influências do punk e de grandes nomes do Reino Unido, como os Rolling Stones e o U2. O comportamento reprovável e baderneiro foi sempre uma marca dos integrantes do conjunto e não são raros os casos de brigas com fãs e frases chulas proferidas pelos irmãos Gallagher. O que importava para os rapazes de Manchester era ganhar o mundo, sem pretensão de mudar o rumo da música, e isso eles fizeram bem.

Em 1995, foi lançado o segundo álbum da banda, (WHAT'S THE STORY) MORNING GLORY?", considerado pela revista Bizz um dos dez melhores discos dos anos 90. Foi, sem dúvida, um grande marco na carreira do Oasis. Um repertório fabuloso, no qual é difícil encontrar uma canção ruim, encheu os ouvidos dos fãs. Fazem parte deste disco as memoráveis WONDERWALL (canção que ficou mais de 100 semanas na parada da Billboard), DON'T LOOK BACK IN ANGER, CHAMPAGNE SUPERNOVA, SOME MIGHT SAY e MORNING GLORY.

Com 18 milhões de cópias vendidas do segundo álbum em 1996, a popularidade do grupo rendeu, em 1997, a indicação ao Grammy por melhor vocal de rock para Noel Gallagher e melhor canção, com WONDERWALL. Em 1999, a música All Around the World foi indicada ao prêmio de melhor videoclipe.

O sucesso se repetiu no terceiro álbum, BE HERE NOW, de 1997. Os fãs correram às lojas para comprar o disco que seguiu o estilo dos dois primeiros, mas com mais maturidade e cuidado nos arranjos. BE HERE NOW vendeu incríveis 3 milhões de cópias apenas no primeiro dia, um recorde batido por poucos até hoje. Canções como STAND BY ME, DON'T GO AWAY e ALL AROUND THE WORLD mantiveram o Oasis no topo das paradas.

Os integrantes da banda, porém, deixaram que a bebida, as drogas e os egos exacerbados afetassem demais a convivência. O álbum THE MASTERPLAN, somente de lados B, foi lançado em 1998, sem a aprovação do líder do conjunto, Noel Gallagher.

A saída de Paul "Bonehead" Arthurs (guitarra), Paul "Guigs" McGuigam (baixo) logo após a finalização do quarto álbum, STANDING OF THE SHOULDER OF GIANTS, de 2000, foi outro divisor de águas. Um novo guitarrista, Gem Archer, foi chamado e Noel assumiu o baixo por um tempo, robustecendo mais o som do Oasis, uma vez que os arranjos para duas guitarras não funcionavam mais.

STANDING OF THE SHOULDER OF GIANTS trouxe um som mais melódico e psicodélico, sem abandonar a levada clássica do pop britânico, presente em GO LET IT OUT e GAS PANIC. Em 2000, o Oasis ganhou um novo baixista, Andy Bell e seguiu a turnê deste álbum, sem o frissom causado pelos trabalhos anteriores. Era o início de uma decadência e de uma série de ameaças quanto ao fim do grupo. Durante o último Rock in Rio realizado no Brasil, em 2001, o vocalista Liam Gallagher deixou o palco e sua banda na mão durante a apresentação. O show continuou com Noel assumindo os vocais.

Para revitalizar os grandes sucessos e provar que o Oasis não estava realmente acabando, o grupo lançou em 2001 um disco ao vivo, FAMILIAR TO MILLIONS (CD e DVD), gravado no Wembley Stadion, com 80 mil fãs presentes.

O marasmo na carreira, porém, voltou a assombrar a banda. Em 2002 foi lançado o quinto álbum da banda, HEATHEN CHEMISTRY, um disco que enveredou abriu espaço para baladas e sonoridades mais tristes. Noel Gallagher disse ter amado o disco, por ter escrito várias canções como nos velhos tempos: em apenas alguns minutos. A falta de inovação nos trabalhos, porém, foi grande comentário a respeito deste trabalho por parte da crítica. Hits como STOP CRYING YOUR HEART OUT, LITTLE BY LITTLE, THE HINDU TIMES e SONGBIRD mostraram que o Oasis estava longe de lançar outro álbum arrebatador como (WHAT'S THE STORY) MORNING GLORY?.

Em maio de 2005, sem o baterista Alan White, substituído por Zak Starkey, filho do baterista dos Beatles, Ringo Star, o Oasis lançou seu mais recente disco, DON'T BELIEVE THE TRUTH, que conta com as canções LYLA e LET THERE BE LOVE. Este disco segue a velha fórmula do Oasis: rock honesto e de qualidade, mas sem novidades para os fãs.

FRASES DOS IRMÃOS GALLAGHER

Leia as pérolas que eles soltaram ao longo da carreira
por Guilherme Guimarães

Noel Gallagher, guitarrista e líder do Oasis:
"Meu nome é Noel, mas pode me chamar de Deus." (no primeiro show da banda no Brasil, no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, em 1998)
"Espero que Damon e Alex, do Blur, peguem Aids e morram."
"Eu estava completamente bêbado quando falei aquilo. E claro que eu odeio os caras, mas não quero que eles morram nem nada."
"Os Beatles não tinham nenhum ponto fraco. Tirando a Yoko Ono, é claro."
"Os Rolling Stones deviam ter acabado depois de Sticky Fingers."
"Eu e meus amigos tomamos drogas desde os 14 anos."
"Cheiro uma carreira a cada 40 minutos."
"Ninguém na banda toma crack, heroína ou ácido. Quase todos ficam chapados, todos bebem muito e tomam ecstasy de vez em quando. Mas não somos tão loucos como querem por aí."
"Eu era um tirano." (falando do tempo em que era drogado)
"Os Backstreet Boys deveriam ser mortos."
"Eu tive uma grande discussão com esse animal, o cantor."
"Parei com as drogas. E nos shows, finalmente, consigo escutar o que toco."
"É isso aí", comunicou aos outros três. "Oasis é um nome bem melhor do que essa porra de Rain." (Noel criticando o nome da banda dos outro quatro integrantes iniciais do Oasis, logo que entrou para o grupo)

Liam Gallagher, vocalista do Oasis:
"Mick Jagger, Paul McCartney - são todos cogumelos velhos e suarentos."
"Se somos tão ruins, entre na banda e faça-nos melhores." (intimando seu irmão Noel, quando ainda não existia o Oasis)
"Eles arremessaram um jornal em mim e uma toalha de mão no meu marido. Eu não sei o que eles estavam fumando, mas com certeza não eram cigarros comuns." (De uma passageira do vôo de Hong Kong para a Austrália em que os integrantes do grupo inglês Oasis aprontaram grande confusão)

ENTENDA O BRITPOP

Como evoluiu uma das vertentes do rock mais consagradas
Britpop é a expressão que a imprensa da Grã-Bretanha inventou para não ter que escrever "a terceira grande invasão britânica" toda vez em que Blur, Oasis e Suede fossem citados numa matéria. Pop sempre foi feito na terra da rainha, portanto é lógico que britpop seja um termo circunstancial.

Mas a enxurrada de bandas boas de pop rock que surgiram na ilha durante esta década não foi invenção dos semanários. A turma da terceira invasão britânica cresceu consumindo os discos da segunda invasão: o punk de Clash, Sex Pistols, Buzzcocks e congêneres, na transição dos anos 70 para os 80. Com certeza, também assaltou a discoteca de seus pais atrás de Beatles, Kinks, Who e outros protagonistas da primeira invasão, que se deu em meados da década de 60.

A safra das bandas shoegazer, que chamou a atenção da mídia no final dos 80 e início dos 90, é outra de suprema importância para que se entenda o britpop. Na época, os garotos ingleses adotavam um comportamento tão retraído em cima do palco, que ganharam a alcunha por se manterem olhando para baixo durante a apresentação de seus grupos (shoegazer: aquele que olha o próprio pé).

Outra característica eram os nomes curtos, como Lush, Ride e até mesmo Verve e Blur, que tinham uma proposta diferente da que os levaria à consagração anos depois. A rivalidade entre Oasis e Blur ajudou a difundir o britpop. As ofensas públicas destiladas por Noel e Liam Gallagher atingiram também a artistas consagrados e políticos. Por mais que se suspeite de estratégia de marketing, a polêmica foi o tempero que faltava para que o mundo conhecesse esta leva de grandes bandas do Reino Unido.

Oasis - (WHAT'S THE STORY) MORNING GLORY? (1995) - Epic/Sony
A genialidade e a petulância do guitarrista Noel Gallagher são antigas. Após largar sua carreira de roadie dos Inspiral Carpets, ele assistiu a uma performance da banda do irmão Liam e pediu para integrá-la, com a condição de compor todas as músicas e com a promessa de fazer aquilo virar um fenômeno. Assim que Noel apresentou o riff de WHATEVER, o queixo do pessoal caiu, eles resolveram apostar e não é que o tal fenômeno aconteceu? Depois veio LIVE FOREVER, SLIDE AWAY, até chegar ao repertório de Morning Glory. Ouça HELLO, SOME MIGHT SAY, CAST NO SHADOW e repita: a maior banda do mundo!

The Stone Roses -  THE STONE ROSES (1989) - RCA/BMG
A estréia do quarteto de Manchester foi rapidamente inserida em duas cenas musicais: Madchester (vide Charlatans) e baggy (Happy Mondays, Primal Scream). John Squire foi elevado à posição de guitar hero e Ian "Monkey" Brown, por mais desafinado que fosse, primava pelo carisma. Até hoje, quando rola I AM THE RESURRECTION nas danceterias manchestrinas, o público levanta os braços quando chega o refrão, como nos legendários shows da extinta banda. Outros sucessos: I WANNA BE ADORED, SHE BANGS THE DRUMS e FOOL'S GOLD.

Teenage Fanclub - BANDWAGONESQUE (1991) - DGC
Os escoseses Norman Blake, Gerard Love, Raymond McGinley e Brendan O'Hare ainda não haviam assumido a posição de The Byrds dos anos 90 (eram shoegazer) quando lançaram Band-wago-nesque, mas já mexiam com corações alheios. Nunca cantou-se tão bem as agruras de possuir uma namorada metaleira, como em METAL BABY e THE CONCEPT ("Ela usa Denin aonde quer que vá/ Disse que vai comprar um disco do Status Quo/ Oh yeah"). Produzido pelo americano Don Fleming (ex-Gumball), o álbum não é perfeito como Grand Prix, de 95, mas ganha em termos de influência para outros artistas.

Suede - SUEDE (1993) - Nude/Columbia
Aqui é onde o britpop flerta com Bowie, T-Rex e afins. O Suede conseguiu ser capa do semanário inglês Melody Maker antes de lançar o homônimo disco de estréia, mas foi obrigado a virar London Suede por causa de uma cantora americana que usava o mesmo nome. O vocalista Brett Anderson sempre se posicionou acima das confusões e é o maior responsável pelo sucesso da banda. Suede é recheado por lânguidas baladas, mas os destaques são os rockões estridentes: SO YOUNG, ANIMAL NITRATE, THE DROWNERS e METAL MICKEY. Coming Up, de 97, também é discoteca básica.

Blur - PARKLIFE (1994) - Food/EMI
Se você pegou o Blur depois do "woo hoo" de SONG 2, não se iluda. A banda já foi bem mais criativa, melódica e inglesa. PARKLIFE é o terceiro e definitivo álbum da carreira do quarteto. Damon Albarn (voz e piano), Graham Coxon (guitarra), Alex James (baixo) e Dave Rowntree (bateria) fazem o diabo no disco da corrida de cachorros na capa. "Amor nos anos 90/ É paranóico", diz um dos primeiros versos de GIRLS & BOYS, cuja batida dance aproxima o grupo das baggy bands. Depois tem END OF A CENTURY para chorar, PARKLIFE para pogar e TO THE END para ouvir depois de discutir feio com a namorada(o). Será PARKLIFE o melhor disco de britpop já composto?

Ash - 1977 (1996) - Reprise/Warner
O Ash existe desde 1989, ano em que o guitarrista e vocalista Tim Wheeler e o baixista Mark Hamilton, dois irlandeses viciados em heavy metal, completaram 12 anos. Conforme foram crescendo, foram injetando doses de Buzzcocks, Nirvana e Oasis no som da banda. O maior hit de 1977, GIRL FROM MARS, chegou ao décimo primeiro lugar da parada inglesa no mesmo verão em que os meninos se formaram no colégio. O disco ainda traz grandes baladas "gallagherianas", tipo OH YEAH e LOST IN YOU, a porrada LOSE CONTROL e a homenagem punk ao cineasta Jackie Chan, KUNG FU.

Ocean Colour Scene - MOSELEY SHOALS (1996) - MCA/Universal
Este álbum tem a bênção e a participação de Paul Weller. O ex-The Jam e ex-Style Council é responsável pelo órgão na maravilhosa THE RIVERBOAT SONG, pela guitarra de THE CIRCLE e pelo piano em ONE FOR THE ROAD. Descreveu o Ocean Colour Scene como o "rhythm and blues inglês para os anos 90". O clima retrô impera em Moseley Shoals: os instrumentos usados são de safra antiga e a ambientação das canções é totalmente sixtie. THE DAY WE CAUGHT THE TRAIN, LINING YOUR POCKETS e IT'S MY SHADOW são baladonas que arrepiam toda vez que o vocalista Simon Fowler alcança um agudo.

Pulp - DIFFERENT CLASS (1995) - Island
Pulp é a banda de Jarvis Cocker. Classudo, verborrágico e andrógino, foi o astro do brit-pop que tardou mais a alcançar o es-trelato. O primeiro lançamento do Pulp, o miniálbum It, data de 1983. Seguiram-se discos medíocres até que o hit BABIES mudasse a trajetória do sexteto inglês. Jarvis é o principal contador de histórias e analista social do rock mundial, o que fica latente em Different Class. Em primeira pessoa, DISCO 2000 e COMMON PEOPLE já têm lugares reservados nas listas de melhores letras de rock da década.

Super Furry Animals - RADIATOR (1997) - Creation
O Super Furry Animals é o futuro do britpop. Quando essa banda galesa apareceu era vítima de comparações com Blur e Pulp, mas com RADIATOR, segundo disco deles, a sombra se esvaiu. Mestres em unir efeitos eletrônicos a rock'n'roll, os meninos também são bons de letras. Cantam em galês e inglês; inserem personagens latinos, falam de demônios e contam casos de pessoas estranhas. "Nossas mentes viajantes sempre nos farão diferentes", proclamou recentemente o vocalista Gruff Rhys, fã confesso de drogas lisérgicas. Metade de RADIATOR é hit no Reino Unido.

The Beatles - THE BEATLES (1968) - Apple/EMI
Não dá para fugir dos mestres. Beatles é tópico fundamental para qual-quer discussão sobre britpop. O White Album é o mais ousado da carreira do quarteto, com canções absurdamente distintas entre si. Lennon já não admirava tanto as bases das composições de McCartney e vice-versa. Reza a lenda que o piano ani-ma-les-ca-mente tocado por John em OB-LA-DI, OB-LA-DA era a maneira que ele havia escolhido para dizer a McCartney que a música era boba demais. No afã de estragar, Lennon ajudara a idéia do amigo a virar hit. O "Álbum Branco" contém também a trilogia dos bichinhos meigos: BLACKBIRD, PIGGIES e ROCKY RACCOON.

(fonte: Bizz, outubro de 1999)

Curiosidade
GO LET IT OUT segue a tradição oasiana: o single chegou às rádios cercado de polêmica. A letra causou grande alvoroço por ser muitíssimo parecida com a de BOOK OF RULES, som gravado em 1973 pela banda Bobby & The Midnites.

Compare você mesmo: em GO LET IT OUT, Liam canta "Is it any wonder why princes and kings / Are clowns that caper in their sawdust rings? / And ordinary people that are like you and me / We're the keepers of their destiny" ("Não é de se estranhar por que príncipes e reis / São palhaços que dão cambalhotas em seus picadeiros de serragem / E pessoas comuns feito eu e você / Somos os responsáveis por nosso destino?").

Em BOOK OF RULES, Bobby canta "Isn't it strange how princesses and kings / Can clown their capers in sawdust rings / Poor people like you and me will be builders for eternity" ("Não é de se estranhar que princesas e reis / Podem se macaquear em cambalhotas em picadeiros de serragem / Pobres como você e eu serão os construtores da eternidade"). Depois de ameaças de processo, há um acordo a caminho.

(fonte: Bizz, março de 2000)

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